sexta-feira, junho 26, 2009

No Sagrada Hispânia

A Trova do Cavaleiro Negro

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quinta-feira, junho 25, 2009

Passos

O Diogo diz que qualquer pequeno passo é melhor do que nenhum. Não concordo. Como há muito venho a dizer, é sempre melhor não fazer nada do que fazer pior.
E quando se dão passos no sentido errado (no caminho do socialismo, do desprezo pela tradição, no sentido de uma espiritualidade que representa a antítese do que é Portugal, a ideia de que o cidadão é superior à comunidade) qualquer passo é indiferente ou nocivo.
Não ver que o sentido dos passos tomados por esta forma de nacionalismo são o mesmo ou pior, não trazendo uma única solução para o problema essencial de Portugal, é pactuar com isso. Eu não apoio o Portugal do PNR (discurso, programa, preocupações, estilo). Não gostaria de viver nesse país, da mesma forma que nunca apoiaria o apelo soberanista do PCP ou do PCTP-MRPP. Ainda que digam às vezes as mesmas palavras que eu digo, o sentido em que caminham é completamente oposto do meu.
Pode, quem quiser, lamentar-se com a ausência do contributo deste ou daquele. Ouço a mesma conversa de gente do CDS e do PSD, dizendo que fora dos partidos do MFA nada é possível fazer, que afastado deles se é inútil. É um erro. Hoje em dia a coisa que mais diferença faz é dizer a verdade e aquilo que se pensa. Algo que não vejo ninguém no plano das Direitas fazer há muito tempo. Uns fazem indiferentemente publicidade ao pensamento cristão e a concertos de incentivo ao ódio. Outros mascaram-se de progressistas para serem mais palatáveis à formulação mental presente. Outros lançam-se aos pés de qualquer disparate que creiam dar visibilidade. Os partidários falam da parte de um “pastelão” ideológico que não tem qualquer sentido real e que foi apenas o consenso a que se chegou na última reunião lá na sede.
Tudo menos ter lógica, princípios e fins.
Se os passos que são dados vão no sentido oposto do correcto, nada se ganha. Pelo contrário. E o regime vai tendo os nacionalistas que merece e precisa…

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quarta-feira, junho 24, 2009

Actos de Reflexo











O Diogo discorda de que o povo português não se reveja no PNR. Diz que para não se rever seria preciso conhecê-lo. Espero que quando alguém vier afirmar que o Diogo está loucamente apaixonado por uma nonagenária de Lamego, ele diga o mesmo, “que não se pode afirmar que não estejam apaixonados por não se conhecerem”.
Como é evidente, a única utilidade de se afirmar tal coisa é tapar o sol com a peneira.
Daí a que o problema do PNR seja apenas a desigualdade de meios e oportunidades, vai um pulinho. Um pulinho que esquece o total ostracismo a que o Partido Humanista ou o MPT que, com menor difusão e menos membros, têm votações superiores. Por mim, utilizem a peneira que quiserem e continuem a sonhar com deputados. É-me indiferente.
O que já me não é indiferente é a forma como se apresenta o PNR como solução patriótica, nacionalista-portuguesa, consensual dentro da direita, de unidade portuguesa. Isso é simplesmente falso.
O PNR não é um partido do nacionalismo português porque (1) não reconhece a primazia de um Bem Comum Histórico – crendo caber aos vivos e presentes a determinação de quem é português e quem o não é, (2) aceita os fenómenos de paganismo e de idolatria da comunidade, ao bom estilo esquerdista, contra tudo o que sempre foi Portugal até às catástrofes dos últimos séculos, (3) crê que os Portugueses (o povo) são superiores à Nação (ente moral), não defendendo uma moral prévia aos desejos da população (a tal segurança com que se identificam os portugueses), (4) defende a posse estatal do tecido produtivo como forma de preservar emprego.
O Portugal que o PNR defende é, em suma, a Democracia, o Paganismo Comunitário, o Populismo e o Socialismo. O Anti-Portugal, como é evidente.
Se o Diogo se quer unir contra os princípios de Portugal com quem quiser, faça o favor. Mas quando invocar a Graça de Deus para a construção desta Nação pense um pouco sobre o lugar que há para a Graça no Portugal que quer construir com os seus camaradas (uns que odeiam Cristo, outros que o consideram irrelevante politicamente).
Deixar para trás a perspectiva Cristã, a favor de um qualquer culto da acção comunitária, é um acto de soberba. Típico de quem se admira ao espelho e, vaidoso, acredita mais importante o meio (o próprio) do que a finalidade (o Bem)…

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quinta-feira, junho 18, 2009

Mais Vale Só

As últimas eleições dão muito que pensar. A “direita” que constituiu a massa eleitoral do PND de Monteiro amancebou-se com o partido mais idiota e vazio, o MEP, mostrando realmente a sua sólida formação política e doutrinária. O MMS, partido de meia-dúzia de oportunistas que nada mais faz senão repetir chavões de certa classe média portuguesa, veio substituir o Movimento do Doente, na substância e nos votantes.
Os Monárquicos perderam também em duas frentes. Perdeu o PPM que mostrou que as possibilidades de crescer e de se apresentar como alternativa de direita, são nulas. Perderam os da Causa, que não conseguiram, como desejavam, destruir através da detracção do partido toda a base eleitoral do partido.
O PNR demonstrou mais uma vez ser um partido (e um partido é a sua gente) em que os portugueses não se revêem, tendo ficado, apesar da linguagem moderada e da serenidade de HNO, atrás da seita “pós-hippie” do Luís Filipe Guerra, o que dificilmente abrirá perspectivas para o tal deputado da próxima legislatura (há quatro anos não se falava de outra coisa na blogosfera...).
O CDS desideologizado sobrevive e com ele morre toda a esperança de um partido representativo da Direita que acredita na Independência Nacional, num país Cristão, numa Constituição Portuguesa, numa Justiça que transcenda a funcionalidade do Estado, numa comunidade que despreza as abstracções progressistas (a democracia, a igualdade material, o estado-social, como valores-em-si).
Admitamos isto sem fazer concessões ao materialismo de todas as formas novas de socialismo e comunismo nacional, a abjectas formas de sentir a comunidade que atentam contra a Ideia de Portugal, que isso de falar da Nação e defender o seu contrário é estratégia velha do Companheiro Vasco e do tal partido da Soberania.
Fica o desafio para alguns “cristãos”: expliquem que Nacionalismo é esse que compagina gente que despreza o Cristianismo como seiva da Portugalidade.
E se acham que a Soberania é um valor-em-si, podem todos ir votar no Garcia Pereira...
Olhar a questão religiosa como se fosse politicamente irrelevante ou questão de segundo grau, é coisa pouco cristã. Falar de alianças com a antítese do Cristianismo que é a sacralidade do Sangue e do Homem, e achar que qualquer bem pode daí vir, é cair nos disparates de tantos portugueses dos anos 30 que pactuaram com ideologias sob o pretexto de defender os resquícios de Vida Cristã, apoiando o sacrifício da Igreja nos altares do Leviatã.

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quinta-feira, março 05, 2009

Quixotismo Retroactivo














Se os espanhóis têm sempre a sensação de defrontarem gigantes, de que da sua acção é sempre decisiva, o “tuga” tem sempre a tendência para menosprezar a sua acção e os seus inimigos. Só o tempo e a neblina do passado lhes dá grandeza, quase sempre irreal, enobrecendo-os para dessa forma enobrecer a luta e a si próprios.
Vem isto a propósito da forma como muitos receberam a morte de Nino Vieira, como se de um inimigo leal se tratasse. Os que assim falam não acreditam em Nós ou no Cristianismo (talvez por isso ainda hoje se orgulhem de ser capitães de Abril), achando que uma guerra que é conduzida através do Terror, do massacre de civis, de crianças com armas na mão, em nome do Comunismo, está ao mesmo nível do que uma reacção de defesa contra essa agressão. Só dessa forma se compreende que se tome um assassino que utilizou o delito comum para fins políticos passe por grande estadista ou guerreira. Em que visão distorcida do mundo, um assassino é apenas alguém que tem uma visão diferente e que tem o direito a lutar para impôr a sua lei?
Os abrileiros que andam aos abraços com os assassinos de portugueses despeitam a memória de Portugal e dos seus mortos. Ainda que se digam nacional-democratas ou outra porcaria qualquer.

Deixo-vos um comentário certeiro do Dux Bellorum:

"O facto de ser negro não interessa nada. Não nos podemos esquecer é que Nino Vieira recebeu treino em Cuba, na URSS e na China. Só se formos ingénuos ao ponto de acreditar que o antigo Bloco de Leste ajudava os guerrilheiros africanos "por amor à liberdade", é que não chegaremos à conclusão óbvia que Nino Vieira, tal como os outros "independentistas" serviram a causa soviética contra a nossa Pátria. Portanto, estamos a falar de mercenários africanos ao serviço do comunismo internacional.Quanto às palavras amáveis de Nino Vieira, aqui reproduzidas pelo autor do blogue, fazem parte de uma "cassete" utilizada por todos os "turras" depois da independência. É a diplomacia conveniente. Até os selvagens da UPA, responsáveis por massacres e violações em série, diziam maravilhas de Portugal e dos portugueses quando precisavam do apoio do governo português.Esses turras nunca passaram de negreiros ao serviço de Moscovo. Digo "negreiros" porque esse é o nome correcto para os angariadores de escravos, actividade que os "independentistas" realizavam quando iam raptar jovens às aldeias e lhes punham uma AK-47 nas mãos. Muitos jovens africanos foram obrigados a combater sob ameaça de lhes matarem a família caso não o fizessem. PAIGC, MPLA e FRELIMO tiveram muitos escravos a combater nas suas fileiras.Os turras têm a atenuante de serem selvagens, apesar de terem servido o imperialismo soviético. Mas o que dizer daqueles militares e políticos portugueses (desde o MFA aos governos socialistas, passando pela JSN e PREC) que andaram aos beijos e abraços com o inimigo após a independência? Aqueles que trocaram a sua família colectiva (a Pátria) por um punhado de lacaios comunistas... Esses são os traidores, os filhos castrados de uma Pátria vendida. Falam dos terroristas africanos com ternura, como uma criança ingénua que afaga a hiena que acabou de devorar a sua família."


Dux Bellorum

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sexta-feira, junho 27, 2008

Os Jogos de Palavras






















Há uns tempos no blogue Inconformista, Rodrigo N. P., publicou um artigo que falava sobre o Nacionalismo e a Direita Anti-Revolucionária. É quase um manual para o nacionalista de hoje, moderníssimo (ultra-moderno, aliás) que corta a direito e vai directo às preocupações do homem actual. Caminha no sentido da actualidade em todos os sentidos, incluindo na superficialização de conceitos e na incapacidade de alcançar sentidos nas palavras que ultrapassem a superficialidade momentânea.

O Nacionalismo (como apanhou bem o GdR) a que o autor se refere, corresponde a uma situação em que a adesão política vai para a comunidade, independentemente do que esta defende e acima de toda a actividade especulativa. Se não existe Nação numa situação em que a comunidade se articula em torno de valores exteriores a si, ficamos a saber que Portugal nasce com a I República e que até então seria uma outra coisa qualquer. Isto já diz muito sobre esta forma de nacionalismo.

Depois vem uma enorme confusão. Diz o Rodrigo N. que o Contra-Revolucionário luta por uma comunidade jurídica e que o nacionalismo que perfilha se guia por um critério histórico. Se este erro é comum, não é certamente menos disparatado. Ao longo de toda a Época Medieval não existiu qualquer teoria que tenha defendido a defesa do Rei ou da comunidade política apenas por esta ser a sua. Pelo contrário, a filosofia política medieval supreende o homem moderno pelo seu constante apelo a critérios que são extra-jurídicos. A comunidade jurídica deve existir porque serve finalidades que são maiores que a própria e o Direito serve para as proteger. Ninguém diz “defende o teu Rei ou o teu país porque eles são o teu Rei e o teu país”, mas tenta munir o homem de critérios para que encontre a acção justa (saber que Rei servir vem da capacidade de compreender a melhor ordem política). Ora quem usa esse argumento são precisamente os defensores da modernidade que dizem “o que é justo é aquilo que a comunidade ou o Rei te dizem”. Muitos até dizem que isso é ser contra o “abstracionismo universalista”...

Todos percebem o que o autor quer com isto e a confusão desemboca onde todos (menos o autor do escrito) já perceberam irá dar. Se o “verdadeiro nacionalismo” está acima da especulação, não se percebe qual é o critério acima do jurídico ( que expressa a vontade da comunidade) que poderá ser “histórico e étnico”. Há uma inconsistência grave e elementar em todos os que dizem que a comunidade é o critério e depois desatam a dar-lhe os seus critérios. Se assim fosse, não deveria o RNP aceitar os critérios que lhe são dados pela presente comunidade e aceitar as suas leis (a imigração p.ex.)? A não ser que se encontre inserido noutra comunidade, mas isso de comunidades imaginadas é um instrumento de poder, como dizia o Anderson. Habitar comunidades imaginadas e falar contra a abstracção é caso estranho.

Compreendo bem que o autor se encontre mais identificado com alguns figurões do século XX do que com os construtores da Nação Portuguesa e é precisamente por isso que não entendo o tom da coisa. Não há aqui nada passível de ser confundido.

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terça-feira, junho 03, 2008

Menção Honrosa

O Vitório Cardoso foi distinguido pela SHIP pelo seu trabalho de imprensa em prol da independência nacional. É uma distinção mais que merecida, a uma das pessoas com maior orgulho em ser Português que conheço. O Vitório é rapaz da minha geração e uma das poucas pessoas nesta, que se preocupa em dar vida ao "orgulho nacional", em ser memória de uma maneira de sentir Portugal que se encontra em vias de extinção.
Eu podia dizer ao Vitório para continuar o bom trabalho. Não precisa... É ele que, de vez em quando, me brinda com um telefonema de encorajamento, um desabafo ou um projecto.
A única coisa que espero é que ele nos continue a encorajar pelo exemplo e pelo amor a Portugal.
Tivessem o mesmo amor-pátrio muitos dos que andam por aí com a Nação na ponta da língua e talvez se conseguisse alguma coisa para "o torrão".

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sexta-feira, abril 18, 2008

Modernidade Ofensiva











Nos Estados Unidos a era das grandes exaltações patrióticas veio na forma do Destino Manifesto. Trata-se de uma forma de Nacionalismo curiosa, uma vez que, como não é infrequente em muitas formas nacionalistas, procura desvirtuar as formas de vida comunitária existentes até aí. A América não mudou assim tanto nessa época, mas a ideia de que a Liberdade que os EUA trariam ao Mundo seria uma entidade única e não um conjunto de formas de vida prósperas, manteve-se no imaginário americano. Em vez de liberdades, como compreendida no sentido britânico, a Liberdade apresentou-se como um facto.

Observando a fundação americana, verifica-se o inverso desta situação e o claro antagonismo que envolve ambas as visões do carácter essencial da América. Os Fundadores, gente que vinha de um contexto de perseguições religiosas, criaram uma estrutura funcional para que não tivessem de discutir a questão do Bem que havia gerado o seu exílio. Remetido o Bem para a questão privada, a ordem jurídica e constitucional ganhou uma discursividade autónoma e própria, não se discutindo com referência à bondade das normas, mas quanto à sua conformidade com o momento fundador.

Não há nada mais anti-americano que algo que foi uma solução para a questão do Bem e para a obtenção de uma paz secularizada e funcional, como a reinvenção moderna da Democracia, transformar-se agora em critério de Bem, do Justo e da legitimidade internacional. Talvez seja o início do declínio do espírito americano, o que não significa o declínio do Poder dos americanos, mas o início da sua queda, ainda que no máximo do seu poderio.

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terça-feira, novembro 27, 2007

A Bélgica, os Liberais e os Católicos














(Em relação à posição favorável do André)

Como todos os nacionalismos modernos, o nacionalismo linguístico-cultural substitui o elemento existencial, o bem comunitário que é a sua verdadeira constituição, por formas em que este se expressa (línguas, expressões culturais e artísticas...). Daí não provêm quaisquer elementos que sejam decisivos e originais na instauração de uma ordenação comunitária. Não só o nacionalismo flamengo é vazio em termos de uma concepção constitucional de existência comum, distinta da que existe no seio do Reino da Bélgica, como não existe qualquer elemento de opressão de que tenham de se libertar. Caso se aceite o princípio, terá de se aceitar o critério desses nobres libertadores do Praino Mirandês. Vamos nisso?!

Se uma parcela da população pode dispôr de si, sem justificação reinvidicação ou apelo a um elemento superior, porque é que não pode também violar a propriedade dos outros!É uma resposta que me parece que os liberais não podem deixar sem resposta! Se a autodeterminação é um valor absoluto, qual é o valor dos enquadramentos constitucionais? E sem eles o que é feito do liberalismo (quer de Locke, quer de Hayek)?

Quanto ao meu suposto apoio aos francófonos católicos, só pode vir de alguém que não tenha lido nada do que alguma vez escrevi. A monarquia belga e os seus crimes e faltas de comparência, a ideia de um país em torno mexilhão e cerveja, não me merece qualquer simpatia. Pelo contrário. A Bélgica está a pagar pela descaracterização e pela neutralização do carácter moral da sua vida colectiva. Mas o facto de ser bem feito, não invalida o carácter "kosovar" do nacionalismo flamengo.

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quinta-feira, novembro 22, 2007

Nacionalismo Arrumador









Quem olha para o que se passa na Bélgica de hoje em dia, não pode senão pensar no caminho trilhado pela Europa nos últimos anos. As Nações esvaziam-se, tranformando-se em unidades folclóricas e linguísticas que se sobrepõem ao verdadeiro sentido de uma Nação, uma concepção partilhada no sentido de uma boa comunidade. As Nações transformaram-se em elementos de ordenação do poder segundo uma estrutura de eficácia (partilhas linguísticas que simplificam os processos comunicacionais) com o intuito de facilitar a missão do poder económico e do poder fáctico absoluto (a União Europeia), abandonando a salvaguarda de direitos e liberdades comunitárias e dos enquadramentos morais e políticos que as estruturam.
É impossível dizer-se que o independentismo flamengo pretende qualquer forma de constituição colectiva que não possa obter na Bélgica. Onde está a opressão? Nenhuma liberdade colectiva, nenhuma especificidade cultural, nenhuma prerrogativa especial é reprimida pelo Estado. A independência flamenga é um deserto de ideias, de propostas, fundando-se no populismo da vontade colectiva e da autodeterminação que esconde (pouco) que tudo se pretende que fique como antes, mas mais rico por não ter de suportar os custos da Valónia. Há qualquer coisa de estranho numa nação que aceita a uniformização europeia para depois afirmar a sua especificidade e diferença. Um estranho vazio...

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terça-feira, outubro 30, 2007

Duas Nações











“My country right or wrong is like saying, my mother drunk or sober”
G.K. Chesterton

Ouve-se muito falar de nacionalismo. Quanto mais se fala, menos se percebe do que se está falar. Numa sociedade em que os significados são posteriores aos desejos, todo o conceito está predefinido pela sua aceitação e utilização política.
Se existem muitas formas de Nacionalismo – reais alguns, imaginários muitos – existe por certo uma linha que os divide e atravessa, não deixando espaço para equívocos.
Uns defendem a comunidade nacional como entidade autónoma, possuidora de uma concepção de justiça peculiar e unida por um bem comum, que pretende aproximar o Homem de uma vida mais próxima daquilo que é a sua Natureza. Para estes o laço que une a comunidade política não se encontra nos membros, mas nessa concepção superior e inalienável que consiste na sua própria “constituição”. A virtude do cidadão não consiste apenas na condição política e na sua subordinação às ordens do “domínio”, mas na própria própria “ordem das coisas”. Para esta concepção, a submissão implica uma legitimidade que se funda na Justiça, que se apoia na compreensão da Realidade que só a experiência existencial, a Tradição (verdadeiramente entendida), pode trazer.
Do outro lado temos a concepção voluntarista da Nação, a formulação da comunidade política como resultado das vontades dos indivíduos, que resulta no plebiscito constante defendido por Renan. Esta perspectiva defende que reside na esfera individual a subsistência da comunidade política, podendo, segundo maiorias ou imposição, mudar a sua forma de existir da forma que melhor lhe aprouver. Daqui advém uma concepção ilimitada da política, que determina toda a virtude, sem necessidade de preservação de princípios e valores. Por isso, o Estado de Maquiavel, Bodin e Hobbes apresenta como elemento essencial o seu desprezo por uma justiça mais elevada que as necessidades e desejos da comunidade. O Estado todo-poderoso não se submete a qualquer concepção de justiça, podendo, ele mesmo, decidir-se a cometer a mais gritante injustiça e a legitimá-la. A substituição da Religião, uma estrutura de compreensão do lugar do Homem no Mundo e do devido lugar das coisas, por religiões de Estado e superstições de carácter privado e individualizado, não é senão a consequência dessa absolutização do elemento político.
O Estado Moderno tolera quem lute pelo pão, mas não tolera quem luta por uma concepção de Bem. Esse é o limite de tolerância que se encontra inscrito na sua natureza. A tentativa de representar os católicos como submetidos politicamente aos interesses da Santa Sé é, por isso, uma representação habitual, mas boçal e recorrente. Tal implicaria representar os nossos Reis como agentes políticos de uma potência externa e a subsequente afirmação de que Portugal seria uma ideia do século XIX ou da Primeira República.
Já vai sendo tempo de se perceber que ambas as posições são incompatíveis e de que qualquer defensor da Nação que defenda os valores da Cristandade e se alie aos defensores do Estado ilimitado e do “my country, right or wrong”, não faz parte da solução do problema.

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terça-feira, outubro 09, 2007

O Socialismo Histórico

O Nacionalismo apresenta-se hoje como uma perspectiva muito pouco apelativa, excepto para os que a ele se juntam por más razões. Todo o tipo de nacionalismo é considerado válido e aceitável. São muitos os que disfarçam as suas obsessões raciais na palavra Nação, ignorando o seu carácter histórico e a forma como esta se projecta no domínio dos valores. São os que pensam que a Nação é o que eles próprios desejam, que acham que uma geração é livre de pisar as campas dos seus antepassados. Esta é a pior forma de “socialismo”- considerar que cada tempo e geração tem o direito a destruír os séculos que o precederam. Os movimentos nacionalistas actuais estão, no plano moral, a defender a destruição do Mosteiro dos Jerónimos. Acham que a construção dos antepassados não faz sentido e estão dispostos a demoli-la em favor da eficiência, segundo o que leram nas suas ideologias estrangeiras.

Não sigo o argumento ultra-comunitarista de que apenas os nossos compatriotas podem ser nossos mestres. Deixo isso para os dementes que querem ser compatriotas de Deus ou que acham que há deuses para cada xenótipo... O perigo da ideologia para o nacionalismo não vem das origens dos seus mestres, vem da forma como os autores e as suas ideias têm a tendência para o Total, para destruir as identidades históricas e substituí-las por entidades vazias e sem valores que não sejam a sua total submissão à cartilha. O problema do nacionalismo actual vem da incompreensão de que existe uma narrativa, uma história que lhes é anterior e que têm de aceitar para que nela se possam inserir. São os nacionalistas do povo branco, dos indo-europeus, da Europa, da Galaécia, de um qualquer povo bárbaro. Só aceitam pertencer uma comunidade que não lhes limite a Vontade... o oposto de qualquer Nação que não se insira no paradigma esquerdista e moderno da pátria futebolizada e dos separadores de canais de televisão. Insistem em ter o “direito de admissão” à Nação, não apenas no futuro, mas na escrita do passado, definindo com carácter retroactivo quem foi português e quem não foi. Mais uma vez, esta posição “socialista” não aceita as decisões das instituições políticas do passado de Portugal, mas subordina a Nação à sua posição momentânea e ocasional.
Isto é fundamental no nacionalismo. Não ver isto como uma diferença essencial entre aquilo de que se é nacional, é cair na falácia das ideologias... E ser tão ideológico como os demais.

Hoje fala-se de Nacionalismo, mas escreve-se pouco ou nada, sobre o que este é. Política sem pensamento é apenas mais do que já temos, sob um manto diferente.

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quarta-feira, outubro 03, 2007

Confundir Nação e Povo



















É frequente ouvir-se na televisão que Hugo Chavez é um político de esquerda e nacionalista. A coisa passa muitas vezes na televisão e até apanha alguns incautos que julgam ser verdade o que ali se diz. Estes que vêem armadilhas em tudo, não vêem a casca de banana que foi largada a seus pés... Adiante!
O nacionalismo de Chavez é mais um logro que cumpre a dupla função de o tornar impopular e de afirmar que os nacionalistas pertencem a esse bando de “comunas”.
Para além do mais, Chavez não é o que se possa considerar um nacionalista, uma vez que no seu léxico a Nação não é mais do que a vontade e os interesses de um grupo social, impostos a todos os outros, tentando tornar a sociedade numa imensa massa popular e igualitária e onde o próprio referente moral é determinado pelos governantes, em prol da classe oprimida. Ora, isto não tem nada de nacionalismo, mas de populismo. Este pensamento pertence a uma escola jacobina de que o nacionalismo português nunca comungou. Nem sequer o fascismo ou o nazismo possuíam este cariz popular. Tinham como horizonte utópico e através da acção estatal, o objectivo de criar no povo as virtudes que os tornassem “senhores”. Se se pode afirmar que o Fascismo e o Nazismo têm caracteres de Direita, será apenas por este aspecto originado na “Revolução Conservadora”.
A política implica uma escolha e há escolhas que até são bastante simples. Ou se escolhe Chavez, ou Salazar, ou Hitler, ou Mussolini. Só na cabeça dos ignorantes e dos malevolentes a coisa é toda a mesma. Ou se percebem as diferenças entre as coisas, ou se faz a escolha de que isso não interessa... A pior escolha de todas.

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terça-feira, junho 26, 2007

A Reeducação Pós-Colonial
















O fundamental é a reeducação. Os portugueses têm sido sujeitos durante anos a um inculcar de vergonha sobre a memória imperial, com o intuito de criar uma paz espiritual com um presente. Esta fez-se de várias maneiras, quase sempre de gravosos erros morais.

Uma proposta reeducativa foi o Historicismo, que se consubstancia na ideia de que não havia nada a fazer, que os “Ventos da História” estavam contra nós e que o abandono ultramarino era inevitável. Esta tem em si uma parcela verdadeira, mas uma parcela profundamente amoral. É bem verdade que os ventos da História estavam contra nós, mas também estão contra a Venezuela, Cuba e outros países que ainda hoje se colocam à margem do consenso internacional. Para além disso esta situação não permite que ninguém pense sobre a justiça da sua conduta, mas apenas sobre o que irá ter acolhimento no futuro. O que equivale a afirmar que onde exista uma genocídio ou uma violação grosseira do direito de outrém, o que teremos de fazer é o que pensamos que terá acolhimento no futuro. Se o futuro é o genocídio, devemos abraçá-lo de braços abertos. Quando o futuro fôr vender os familiares a prestações...

Por outro lado e com muito acolhimento em alguns nacionalistas mais impreparados e espíritos mais fracos, cativados pelo simplismo das suas proposições, está o nacionalismo terceiro mundista. Este funda-se nalgumas ideias modernas, o predomínio da vontade, e o colectivismo da acção, defendido pelo socialismo mais despudorado.
A ideia é simples. Para a obtenção de uma comunidade, com possibilidade de obter soberania, basta que exista a vontade de um colectivo. Ora isto não é nacionalismo nenhum, nem nenhum pensamento sério sobre a natureza das comunidades políticas. É a antítese de uma Nação, porque ao colocar os vínculos entre as partes no domínio da vontade, estabelece uma relação de utilidade entre os membros de uma comunidade que é a de uma empresa. Com esta ideia de que a comunidade repousa na vontade colectiva, vem também a ideia de que a propriedade é passível de apropriação por esse acto de vontade... se a lealdade política o é... E esta é uma ideia de que a comunidade não existe para preservar um direito anterior da comunidade, prévio e superior, mas que está ao alcance dos desejos maioritários a posse da propriedade de outros, o que representa que as relações políticas se encontram no domínio da “guerra de todos contra todos” e não numa comunidade nacional.
Como é fácil de ver, a ideia é muito jeitosa se se pretende estabelecer um domínio a nível global. Assim que alguma parte de um Estado descobre uma riqueza ou uma oportunidade estratégica, pode declarar independência, revertendo os benefícios do bem para uma parte pequena da comunidade. Vêm daí os nacionalismos plebiscitários, referendários, terceiro-mundistas, altermundialistas e restantes disparates que parecem ter muito acolhimento entre as moderníssimas hostes nacionalistas portuguesas, sempre em busca do último disparate para aderir. É o “nacionalismo-velcro”, que prefere a adesão a saber a que é que se deve aderir.

Existe ainda outra forma de reeducação, verdadeiro gulag intelectual, que provém do marxismo e de todas as suas seitas subsequentes. A ideia de que a presença portuguesa era um sistema de opressão é uma paródia, porque equivaleria a considerar que todos os habitantes das colónias eram colaboracionistas de um sistema de repressão violento. Quem observar um mínimo da história colonial portuguesa vê que um dos maiores propósitos é manutenção dos modos de vida tradicionais das populações. O mesmo propósito que parece agora cativar todas atenções dos pós-modernos das análises pós-coloniais... Tais estudiosos, numa fantástica acção de marketing (de criar inveja ao capitalista mais sanguinolento), criaram o seu próprio mercado. Primeiro defenderam o fim da opressão dos povos do jugo imperialista. Agora, após o triunfo dos movimentos políticos que tanto apoiaram, peroram sobre os problemas da destruição das narrativas e tradições que enquadravam as vidas daquelas gentes. Há gente com olho...
Agora reina na África Portuguesa a mais seráfica das justiças, a mais florescente das felicidades. As populações, urbanizadas à força, deixaram as comunidades tribais (que nenhum lucro davam à metrópole, o que diz muito da exploração portuguesa ...) para se acumularem junto ao lixo, nos musseques, vivendo em árvores, dormindo no chão, comendo o desperdício dos altos-funcionários do Partido.
A Economia, que era para todos os marxistas a razão da independência colonial, desmentiu-os. Mais fome, mais desemprego, mais trabalhos degradantes e escravizantes a benefeciar as empresas chinesas, mais gente a viver vidas de amoralidade e de prostituição, mais gente com SIDA, acompanhada por um desculpabilizador discurso de falta de auxílio internacional.
Para quem acabou com a opressão e instaurou a liberdade, não está nada mal...

Qualquer destas propostas de reeducação caminha para a catástrofe. Obliterando a possibilidade dos portugueses compreenderem os erros destas formas de pensar, encontramo-nos a um passo do suicídio. E ninguém pode fazer essa escolha por nós. É a escolha da sobrevivência.

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terça-feira, maio 01, 2007

Um Nacionalismo








A questão do Nacionalismo é bastante simples, ao contrário do que muitas vezes pretendem os defensores de certos ocultismos intelectuais que lhes mantêm a clientela. O Nacionalismo não é, nem pode ser uma ideologia. Tal implica sempre a redução da realidade a uma verdade que provém de um desejo, o que conduz à ideia de que a concepção própria, a nossa, deve governar a vida do mundo e das comunidades que lhe são exteriores. São os nacionalismos ideológicos.que acham que todo o mundo e todas as comunidades deveriam estar unidas nos mesmos laços que elas próprias. Esta redução da realidade a uma verdade induzida é um dos grandes inimigos do Nacionalismo, por criar a ideia de que tal nação só existe quando fundada em critérios e numa lógica pré-determinada e quase sempre superficial (língua, similitude física, história).

O Nacionalismo é tão somente a ideia de que os laços comunitários que englobam a sociedade se sobrepõem no domínio político e moral a outros quaisquer. Esta supremacia do elemento comunitário, que se consubstancia numa “ética de virtude”, oposta ao cosmopolitismo moral ou ao individualismo e atomismo ético-político, postula para o indivíduo um conjunto de obrigações e uma educação propícia à obtenção das disposições da alma no homem que permitem que a comunidade alcance os bens a que se propõe. Esta educação para a virtude é essencial na realização humana que deve ser a política.

Mas para que a Sociedade não se torne auto-referencial, e incorra nos erros da auto-divinização, é fundamental que exista um conjunto de princípios de justiça que não se encontram na sociedade. A verdade não é imposta pelos homens, é lhes imposta pela realidade. Todas as comunidades precisam de se apegar à Verdade e ao Bem e de, com os instrumentos que têm ao seu dispôr, indo revelando através da sua vivência comum as tradições que são compatíveis com essas realidades imprescindíveis. Nesse ponto se distinguem claramente uma qualquer comunidade política, provida de um Bem-Comum, e uma Nação, onde o Bem Comum é mais evidente pela existência de uma cultura e de tradição de vida comum, capaz de fazer compreender os princípios da Vida Boa pela solidariedade natural entre todas as gerações.

Resumindo, uma comunidade política define-se pela existência de um Bem Comum como suprema norma de acção no seio dessa comunidade. E por muito que as ideologias, que muitas vezes falam de Nação quando querem dizer Povo, Raça ou Tribo, defendam que a obediência é devida a mitos, a chefes, a consensos, independentemente do que eles representam, o Nacionalismo ou é a defesa do carácter humanístico e verdadeiramente libertador do Bem Comum ou não é nada.

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segunda-feira, abril 09, 2007

Dois Tipos de Disparate








Parece que estamos obrigados a uma perspectiva dicotómica. Como era de prever o cartaz do PNR fez mais mal que bem...
No outro dia falava com um amigo sobre a polémica dos cartazes. Disse-lhe que não gostava de observar uma mensagem como "com os portugueses não vamos lá" num cartaz. Não parodia o PNR, mas todos os portugueses, retratando-os como incapazes e tornando o PNR como portador de uma mensagem de confiança nos portugueses que qualquer outro partido deveria sustentar. Foi a primeira vitória do PNR, dada por quem tem interesse em agitar papões, em criar um nacionalismo de tipo europeu, com valores contrários aos sedimentados na Nação Portuguesa e nos espíritos da população.
E quem não gosta do Gato Fedorento é "fascista"!

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quinta-feira, março 08, 2007

Inquinado

























Há muito tempo atrás o nacionalismo era uma ideia fundada no pensamento elevado. Fundava-se numa relação política, onde a pertença se consubstanciava na participação numa relação de amizade política em torno de uma sujeição ao Bem. Agora os grandes exemplos são povos sem filosofia, povos que consideram que a pertença à comunidade política é uma questão genética. A substituição da Nação pela Tribo.
Resta saber como se pode falar de Nacionalismo, quando nos encontramos num ponto em que uma parte da população referenda o direito de outra parte da população a pertencer-lhe.
A Nova Direita europeia sempre foi abrilina.

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terça-feira, fevereiro 27, 2007

A Europa e o Nacionalismo

Segui os “posts” do Fsantos , li esta apreciação do BOS e decidi meter a “foice” por crer serem ambas as posições bastante ilustrativas do estado da direita portuguesa.
Parto das apreciações do BOS por me parecerem muito certeiras nos pontos de divergência entre as várias posições políticas que correspondem à direita extra-constitucional.

O que rejeito na atitude de partidos como a FN, o VB ou o PNR é a impossibilidade da tarefa a que se propuseram. Conciliar opostos não é tarefa da política, é tarefa impossível... Ou os contrários deixam de ser contrários, ou sai uma mensagem incoerente e ilógica. E sem uma mensagem que resolva o problema político os partidos nunca serão mais que projectos grupais de poder. Esta tara maquiavélica de que o Poder precede as razões para o seu exercício é um dos traços da direita indígena e dos seus modelos intelectuais estrangeiros.

Quanto ao Europeísmo do nacionalismo contemporâneo reafirmo não saber do que se trata. Ser europeu é defender a União Europeia? É defender o modelo social? É defender os Direitos Humanos, o multilateralismo internacional, a raça brança, o capitalismo, o socialismo, a democracia, a unidade na diversidade, a herança cristã, a herança protestante, a herança secular, a herança jacobina?
Sinceramente não tenho interesse nenhum em discutir a Europa, porque a Europa é um chavão preenchido com o que os poderes-que-estão precisam para se eternizar ou para adquirir Poder. E se formos sérios a única Europa viável é a desumanizadora do homem.
A Europa dos direitos adquiridos, dos produtos com selos de segurança, dos “consumidores”, dos “contribuintes”, das “convergências”, da PAC, o espírito anti-discriminatório obrigatório.

Este Europeísmo não é senão uma reencarnação do Sebastianismo. Foram curiosamente os que mais o vilipendiaram que recaíram nas suas patranhas... O sebastianismo postulou um salto-de-fé quinto-imperialista, onde o devir merece adesão por ser invariavelmente a nossa realização...
Nessa treta caíram bem os futurismos e os futuristas que vêem o futuro como justificativo da acção. Todo esse historicismo relativista é incapaz de distinguir o bem do mal, porque justifica a acção não com o que está, mas com o que vai estar. Não há nada para além dessa obsessão com o que irá acontecer.
A obsessão com a pequenez de mentalidades do rectângulo gerou apenas uma perspectiva crítica palavrosa (tipo 1968), mas demonstrou a incapacidade de transcender os estafados pressupostos da modernidade... Substituem-se os passarinhos e os floreados estéreis pela obsessão do amanhã que nos brindou com as maravilhas do século XX.
Não preciso de dizer que esse relativismo é a grande causa/consequência do declínio moral que vivemos (e não qualquer conjunção cósmica descortinada pelos esoterismos de que a direita se tem rodeado) e que qualquer adesão ou aliança a esse ideário é um passo no sentido errado.

Agremiações políticas que nada propõem e pretendem agregar tudo (mesmo opostos), conceitos a que se adere por ser a “onda do futuro”, sacrificar o que nos enquadra e nos permite distinguir a acção válida e inválida ao culto de uma ideia vazia que podemos preencher segundo os nossos desejos, que estão para lá do bem e do mal. Tudo isso é parte da doença e não da cura...

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quinta-feira, dezembro 21, 2006

Para a Compreensão do Fim do Nacionalismo Português

MN e o ovo da serpente, pelo Jansenista

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terça-feira, novembro 28, 2006

Ficção Científico-Política?












Daqui a dez anos o PCP vai perder o poder nos sindicatos. Rapidamente em declínio reconverter-se-á. Sabendo ter nessa altura, ainda, enorme peso no Alentejo, juntará gaiteiros e a Brigada Vítor Jara, umas placas a dizer "O Alinteju ei nossoo" (numa língua mais próxima da essência cultural da planura) e estará disposto a fazer a independência em favor do Direito dos Povos e de uma herança cultural própria e oprimida.
É claro que esse legado será sempre o socialismo e todas as doenças que este trouxe, ao contrário de questões mais profundas de herança cultural religiosa e comunitária...
O Muro caiu e tanta gente que estava órfã de sonhos encontrou neste "nacionalismo" (que agora é outro nome para bloquismo pseudo-cultural) um coito para as suas taras. As confusões e ignorância doutrinária fazem o resto... Rapidamente este PCP renovado passaria a ter nas suas fileiras os que apenas partilham consigo a pobreza de espírito.

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