quarta-feira, setembro 30, 2009

Uma Resposta Completa

Perguntaram-me algumas vezes qual a razão por que ainda não falei aqui do Portugal Pró-Vida. A resposta é simples e recorrente aqui no blogue. Por acreditar que só uma resposta completa pode ter algum efeito razoável na sociedade actual. É claro que louvo um partido que se apoia na Doutrina Social Cristã, que defende o carácter Natural da Vida (o seu carácter de criatura), que defende que as instituições civis não podem senão ser explicações civis e prudentes de realidades que em tudo transcendem a política e que a esta não compete subverter.
Todos esses combates são fundamentais, assim como proceder a uma recolha do Estado às suas funções naturais, a destruição da política da inveja, a construção de alternativas da sociedade ao monopólio estatal. Mas tanto estas medidas liberais como as medidas da DSI não podem frutificar sem uma Fonte. E enquanto a fonte estiver oculta, enquanto esta não for considerada como elemento essencial, todo o tipo de interpretações são possíveis. Imagine-se que se tornaria possível um reconhecimento constitucional da Vida Humana da concepção até ao seu termo. De que serviria isso quando o Tribunal Constitucional decidisse (como o fez) interpretar, sem qualquer fundamentação que não uma pseudo-interpretação materialista, esse valor como algo que varia de valor consoante a fase em que encontra? A verdade é que sem essa Fonte, a interpretação de um Valor é absolutamente arbitrária. E sem referência à perspectiva Cristã, quando falamos em Vida podemos estar a referir-nos a um mero processo físico e à sua manutenção, a consciência ou a uma mera convenção sobre o que é ser humano. Sem essa Fonte todas as interpretações são lícitas e de igual valia.
As respostas parciais são, tanto a liberal como essa construção Cristã onde se esconde um direito subjectivo à Vida, insuficientes, por esconderem que a questão central de uma sociedade justa se prende com a constitucionalização do Justo. Algo que é absolutamente incompatível com alterações a uma Constituição desenhada para o materalismo e a arbitrariedade mais desbragada.

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quinta-feira, março 12, 2009

Abortos, Excomunhões e Benevolências

Em relação ainda ao texto anterior e sua caixa de comentários.

Corcunda,

«Todos têm o tempo que Deus lhes der para se arrependerem, mas nem todos têm a possibilidade de restituir.»
Este pai não vai restituir nada - nem parcialmente. Quando muito poderá tentar minimizar o sofrimento da filha de um outro modo, mas não lhe vai devolver uma vida em que ela não foi violada nem vai conseguir evitar todas as mazelas que um acontecimento deste tipo acarreta.

«A restituição, sempre parcial, é uma vertente da nossa forma de justiça»
O pai poderá ter de pagar perante a sociedade, mas a sua pena será uma punição - prisão, perder a custódia da filha, etc -, mas nenhum tribunal o condenará a "amar mais a filha". Sendo facto que a restituição é uma vertente da nossa forma de justiça, não é aplicável neste caso.

«A um morto nada é possível de restituir»
É uma observação interessante: estes médicos são mais dignos de excomunhão que o pai porque praticaram um crime do qual resultaram vítimas às quais nada é possível restituir. Mas, noto, a mesma observação justificaria a excomunhão de alguém que mata outra pessoa, mas não é ao assassino, no abstracto, dada a hipótese de arrependimento e redenção?, não está o assassínio fora da lista dos pecados-que-levam-com-a-excomunhão-em-cima?

Repesquemos:«A excomunhão é a sanção mais grave do Direito Canónico e só nela incorre quem (basta ver os actos tipificados para tal) rejeita a Autoridade Espiritual da Igreja, como é o caso do que decide agir em ignorância do que é a Vida Humana.»Ou seja: há uma tabela e a excomunhão é cega às motivações que levam a um determinado acto, importando apenas se este se encontra, ou não, numa das suas linhas.Mas a análise de um crime está longe de começar e acabar nas suas consequências - principalmente à luz de uma doutrina cristã. Atirem-se as motivações para a balança, se faz favor: qual a motivação dos médicos? Certos ou errados das suas opções (e não é sobre isso que quero escrever nesta discussão), o seu gesto foi de consideração pelo próximo: subtrair uma segunda violência a uma criança que já teve a sua dose. Entre a vida de duas criaturas que nunca tiveram consciência da sua própria existência e o auxílio ao sofrimento de uma outra que por cá já andava há algum tempo, eles escolheram a última.
Leandro

Caro Leandro,

Não sei se é católico ou não, mas aqui tem um problema estrutural e outro de interpretação. A restituição é uma indeminização, mas nenhuma indeminização elimina o dano. Não é verdade que o pai não possa indeminizar a filha (pode ser obrigado a dar todos os frutos de uma vida de trabalho à filha) porque pode minorar o sofrimento da filha, o que já é em si uma medida de justiça.O facto das coisas não voltarem a ser como eram não implica que não exista justiça. Esta é a questão interpretativa e lida com a Gravidade do crime, demonstrando a morte como elemento decisivo nessa escala. É, segundo uma escala de valores cristãos, um crime mais grave.

Esse ponto não é, porém, decisivo na questão da excomunhão. A excomunhão é uma pena que lida com a ausência de Norma, isto é adesão à Doutrina, sendo sanção espiritual. É aplicada a quem rejeita a autoridade doutrinária da Igreja na sua vida, através de acções. Por isso matar uma criança não é matéria para excomunhão, porque existe um conjunto de razões para que isso seja feito sem criticar o direito à vida da criança. A maior parte dos homicídios de crianças não vêm de pessoas que não defendem o direito destas a existir, mas de pessoas que têm capacidade de se arrepender por considerarem que estas têm mesmo direito a existir. Aqui chegamos ao ponto central da questão da excomunhão. Os pais da criança agiram em consciência, assim como os médicos e o que a sua consciência lhes ditou foi fazer a escolha que o Leandro referiu, preferir diminuir o sofimento de uma pessoa à custa de duas vidas (se são católicos têm de acreditar que existem vidas ali). E a Igreja defende também que a Vida Humana é independente da consciência (daí ser contra a eliminação de pessoas com problemas mentais), sendo portanto todo o raciocínio que considera a consciência relevante para essa escolha erro grave.Qualquer pessoa que Aborta em consciência está em situação de excomunhão, assim como qualquer pessoa que actue segundo essas premissas erradas. A mera decisão pública dos pais e dos médicos significa que estes estão fora das premissas da Igreja e fora da Comunhão dos Crentes. O mesmo se dirá do Leandro se tomar qualquer decisão baseada nas mesmas premissas.Já o pai da vítima, a não ser que recuse os ensinamentos da Igreja, recusando a autodeterminação sexual do indivíduo, os direitos das crianças a serem protegidas da sexualidade, tem possibilidade de se arrepender da acção. Os pais, pelo menos dentro da sua presente fórmula mental, não.

O meu argumento foi, portanto:
1. Não se pode evitar as sequelas de um crime com um de maior gravidade.
2. A excomunhão, como pena espiritual, visa as condições espirituais do arrependimento e não sondar as intenções dos homens.

É evidente que as intenções dos pais e médicos são "boas" (no sentido de benevolentes) e as do pai foram as piores (tratando a filha como um objecto). Mas em sentido nenhum a acção da Igreja é promover a benevolência desprovida do Bem Sobrenatural de Cristo. Jacobinos, comunistas e hitlerianos, todos tentaram libertar a humanidade através dos seus crimes, escolhendo eles o que seria o Bem. A Igreja portadora de uma Doutrina sobre o Homem e o Ser não é a Religião Egípcia que julga pela "leveza do coração", mas portadora de uma Palavra de Perdão que só é possível pela aceitação da Mensagem de Cristo, facto que implica a submissão aos seus princípios. Sem essa adesão, nenhum Bem é possível e as boas intenções vão enchendo o Inferno.

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segunda-feira, março 09, 2009

A Curta História de Duas Crianças Que Até Para Alguns Católicos Não Existiram Por Não Serem Desejadas

Há para aí uma campanha contra a Igreja pelo o facto desta ter intenção de excomungar quem auxiliou um aborto num caso de incesto e não ter excomungado o pai violador. Estranha-se que os que vêem o perdão em tudo queiram a excomunhão como pena para um crime onde há possibilidade de remissão e não aceitem a excomunhão (independente de ser pronunciada) para um dano, a morte de duas crianças, que é impossível de restituir sequer parcialmente. Pedem o afastamento da Igreja de um homem que cometeu um acto abominável, mas pedem indulgência perante a morte de duas crianças (se se é católico acredita-se nessa Vida), como se fosse uma santa acção. Aqui reside o problema. É que algumas pessoas acham que a hierarquia de erros que a Igreja condena deve ser feita à sua medida e à medida da cultura laica que é Mundo, determinando estes as matérias susceptíveis de excomunhão.
A excomunhão é a sanção mais grave do Direito Canónico e só nela incorre quem (basta ver os actos tipificados para tal) rejeita a Autoridade Espiritual da Igreja, como é o caso do que decide agir em ignorância do que é a Vida Humana. É evidente que uma violação (excepto uma violação ritual) não é matéria de Fé, sendo então o crime matéria civil e sendo a punição material, expiatória, matéria civil.
O facto de muitos proclamados católicos quererem uma Igreja à sua medida diz tudo sobre a sua adesão à Norma. Alguns há que dizem que nem sequer há Norma. Eu digo que nesse Deísmo não há Catolicismo.
Remeto-vos para Dom Lourenço Fleichman.

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terça-feira, fevereiro 17, 2009

A Guerra ao Amor

Ontem, ocupado com coisas mais interessantes, apenas consegui ver vinte minutos daquele tragi-comédia que passa por fórum de discussão da RTP1.
Portugal continua a ser um país de fidalgos. Só assim se explica a presença daquela senhora filha de Adriano Moreira que cometeu a proeza de achar que o argumento jurídico é auto-explicativo, que a questão do “dever ser” é matéria jurídica. A qualquer pessoa que não consegue compreender o lugar da argumentação jurídica numa discussão deste timbre, deve estar vedada a discussão sobre qualquer matéria eminentemente filosófica. Em Portugal vão à televisão…
Acresce a isto a radical incompreensão dos oponentes da dita senhora, de que o “método jurídico” que a senhora invoca é tudo menos unívoco. Porém, quem aceita que a sociedade é fruto das vontades e fonte do político, quem não se levanta contra o igualitarismo vigente, tem de aceitar a dissolução da inspiração cristã das instituições civis. Com este passo, os defensores do casamento cristão aceitam reduzir a questão ao escopo moderno e submeterem-se à tal concepção jurídica vigente, das igualdades.
Fico também triste por um Padre não ter conseguido explicar (pelo menos enquanto vi) à Dra. Moreira que a existência de uma inclinação natural para a homossexualidade e o incesto não torna uma prática lícita e que é precisamente contra a animalidade (as inclinações) que residem no ser humano que o conceito cristão de Natureza se forma.
Quando um Padre se esquece que a sua principal função é salvaguardar a forma de Amor no Bem, aceitando que fórmulas degeneradas de sentimento sejam reconhecidas politicamente como Amor, é altura de repensar esta Igreja.

Num segundo momento em que passei os olhos pelo programa observei um tal de senhor Oliveira afirmar que quem é contra o casamento homossexual é homofóbico, cometendo, portanto, um crime de discriminação. Vai ser interessante constatar que no dia em que o casamento homossexual for aprovado, os portugueses que se manifestaram pelo Não, passarão a ser criminosos, impendendo penas sobre todos eles. É caso para perguntar onde está o argumento, muitas vezes invocado na questão do Aborto, de que não se pode ter a polícia atrás das pessoas por exercerem actos ditados pela sua consciência?
É caso para nos irmos todos entregar à esquadra da polícia.

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quinta-feira, dezembro 04, 2008

Impérios do Mal


















No próximo dia 10 de Dezembro discutir-se-á nas Nações Unidas uma proposta da Presidência da UE e da alguns grupos pró-aborto para a inclusão do Aborto no catálogo de Direitos Humanos. O tal líder que tanto cativava os direitistas e que agora preside à UE é a cara por trás desta iniciativa. Estranha-se que uma entidade que tem um Estado-Membro que proíbe tal prática (a República da Irlanda), crie um direito a algo que um dos seus membros, um Estado Soberano, claramente proíbe. Não interessam aqui quaisquer considerações sobre se o cerco ao país que estragou os arranjos da Eurocracia já começou.
Sou sincero. Acolho a decisão de braços abertos. Primeiro porque nenhum dos direitos consagrados nas várias declarações moveram, um centímetro que fosse, as sociedades na direcção dos mesmos. Segundo, porque evidenciará o que é mais que evidente há muito. Que esses direitos que vêm da racionalidade humana, do humanismo mais ridículo, da lamechice dos burgueses dos anos 80, são coisa anti-cristã e um poço sem fundo para capturar a Igreja. Se a conversa dos DH continuar a grassar na Igreja e nos cristãos, já sabemos quem serve...

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quarta-feira, setembro 17, 2008

Os Culpados do Divórcio














Esta ideia do Divórcio sem culpa é muito divertida. As obrigações de um casamento passam a estar condicionadas pela vontade dos indivíduos em fazê-las prevalecer. O casamento passa assim a ser um contrato em que os contratantes se encontram vinculados apenas enquanto assim o desejam. Se os cônjuges decidem violar o contrato, basta-lhes, a qualquer momento, denunciar o contrato, regressando assim a um momento de liberdade. Já não há contrato de casamento... é mais um Protocolo!
Anda muita gente chocada com a coisa. O PSD e o CDS criticam esta nova forma de articular juridicamente a sociedade, esquecendo que o mesmo princípio de liberdade já existe em relação a obrigações igualmente importantes. Com a sanção dos referidos partidos, não existe nenhuma pena para um progenitor que abandone os filhos e resolva fazer com que o Estado os tenha de educar. Quem dá os filhos à adopção não tem de dar justificação à comunidade. O pobre que dá os filhos à adopção por não os poder educar ou o rico que acha que os filhos são um empecilho, são iguais perante a lei. O igualitarismo levado aos píncaros da injustiça.
Cá estaremos, Deus permita, para ver a forma como o PSD irá fazer retroceder o mesmo princípio, quando for governo, e acabar com o Aborto pago pelo contribuinte. Irá certamente acabar também com o aborto segundo os desejos da mulher e injustificado.
Mas o que realmente me dá vontade de rir é o voto de Matilde Sousa Franco, que continua a achar que o Estado Social é o essencial e o Aborto, a Família, os Deveres que todos os seres humanos têm para com os seus, são o acessório. A Sra. Deputada mantém-se convencida de que o Socialismo é uma ideia inocente e bem intencionada de redistribuição social de riqueza, mesmo enquanto o PS destrói todos os elementos civilizacionais essenciais do Cristianismo. Vota contra, ignorando ser esta uma das decisões mais viscerais dos seus companheiros de bancada, apostados na criação de uma sociedade realmente “livre”, onde uma pessoa só é pai, filho ou marido na medida dos seus desejos.
Há quem lhe chame Catolicismo Progressista. Eu chamo-lhe apenas confusão.

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sábado, março 15, 2008

Um Problema de Saúde Pública

Os jovens, vítimas das tendências da moda, continuarão sempre a fazer "piercings". Se não for de forma legal, sê-lo-á em condições perigosas (com o furador de casa ou do escritório do pai). Centenas de jovens irão parar às urgências do hospital com hemorragias linguais, exangues, por quererem fazê-los no seu quarto e sem o auxílio técnico-profissional necessário à sua saúde, algo que a sociedade mais retrógrada oprime.
Criminosa é a lei!

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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Balanço Provisório

Nas férias há sempre notícias que abrem telejornais sobre o número de mortos na estrada. Num mau mês morrem 100 pessoas na estrada. Sabendo-se que quase metade dos portugueses acreditam que o aborto significa a morte de um ser humano, não seria de referir que todos os meses se realizam 1000 abortos em Portugal? E não seria de perguntar aos que diziam que o aborto não seria um método contraceptivo, porque é que uma rapariga de 19 anos já vai no terceiro?

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terça-feira, fevereiro 13, 2007

Orientação

"O problema da Direita e do Aborto" , visto por Frederik Wilhelmson.

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segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Sorrindo Para a Vala Comum

"Derrota da Racionalidade Ética, Triunfo da Racionalidade Técnica", por Miguel Castelo-Branco

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A Minha Acusação

A Igreja Portuguesa não falou claro. Com os habituais medos de ser acusada de ingerência em questões políticas a Igreja não foi a defensora da Civilização. Padres houve que disseram que quem não acatasse as decisões da maioria mereceria ser excluído da sociedade. Conheço muito menino da Obra (e que vive à sua sombra) que achou a despenalização acto mui cristão, no desejo bem modernista de olhar os agressores como vítimas, numa socialização da culpa que só pode ser aplacada pela reformulação da sociedade segundo o paradigma socialista (caridade obrigatória, estado laico, direitos materiais assegurados para a criação de um paraíso social).
Toda a parafernália dos Direitos Humanos, toda a genuflexão perante o secularismo dos valores por estes defendidos, geram coisas destas. Os poucos que se atreveram a falar da incompatibilidade deste humanismo sentimentalista e socialista face ao Cristão foram linchados na praça pública. Há heróis na Igreja, mesmo quando a cobardia e o Mal impera. Que o Papa Bento faça a clarificação necessária, que mais vale uma Igreja Cristã pequena, que a nossa, portuguesamente prostrada aos poderes que estão.
Acredito no valor profilático da Excomunhão...

Não vou falar dos Não que valeram milhares de Sim. Seria demasiado extenso... Houve os Ainda Não, À Minha Raça Não, os Nim, os Não Me Apetece Embora Não Exista Nenhuma Razão Para Isso, os Não Há Dinheiro Para Isso... Tudo Sim, mas bem disfarçado.

O pior veio depois...
Prostrado perante a turba esteve Marques Mendes, que esta gente de alma pequena está sempre pronta a discutir. Na campanha MM disse que achava que a vida começava no seu início. Ontem à noite, democraticamente, a vida passou a ser às 10 semanas.
Das duas uma. Ou aconteceu isso, ou MM acha que a vida de outros seres humanos não é importante. Pela forma como aceitou que o Estado português licenciasse o homicídio dir-se-ia que deixou de acreditar no que há duas semanas escreveu. Há gente para quem a Verdade prescreve.
Se isso não chega para todos os católicos do PSD entregarem os cartões...
Que fique nas suas consciências.

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domingo, fevereiro 11, 2007

Os Próximos Passos da Pós-Modernização do Regime

O Estado Ideológico caminha a passos largos. Não vai faltar muito para que um médico que se recuse a cometer um homicídio seja expulso da função pública, por violação da vontade do paciente. Em Portugal a Liberdade é uma farsa. Fala-se de liberdades civis, mas quer-se regulamentar tudo ao abrigo da Democracia e da não-discriminação. Regula-se a estrutura dos partidos políticos, impedindo que estas não sejam democráticas e ainda se obriga a que tenham mulheres em seus quadros. Diz-se que a sociedade civil deve ser livre, mas impõe-se no seu seio a impossibilidade de escolher os seus membros. Fala-se de solidariedade social, mas regula-se a ementa do que pode ou não ser dado no acto de caridade. Agora ouvem-se vozes que dizem que a Igreja não pode expulsar do seu seio os que lutam contra os seus princípios.
Esta é a liberdade que nos vai conduzir nos próximos tempos. Uma liberdade tolerante apenas ao que o Estado não contradiz.

Este é o drama da política. A sociedade aberta é um mito e um médico passa agora a ser um servo dos desejos do paciente, ao contrário de ser um defensor da Saúde (uma das expressões do Bem no Ser Humano). Porque se o Estado defende que deve prevalecer a vontade das mulheres acima de tudo, é óbvio que um funcionário público que se recuse a obedecer-lhe perde o seu Estatuto de servidor público. Isto é claro como água...

Amanhã estará tudo de volta aos partidos, ignorando que a próxima barreira já está ultrapassada. Não se votou apenas a possibilidade do Estado deixar a definição de Vida a cada um dos cidadãos, mas a própria acção do Estado. O Estado Total precede sempre o totalitarismo. E não deixa de ser o que é por ser maioritário ou por estar disfarçado de defesa do sofrimento da mulher.
Muitos não vislumbram isto. Muitos não querem ver... Voltam aos partidos na esperança de que esta tenha sido a última barreira para a paz. Não foi, mas a seguir não haverá referendos. Foi decidido hoje que, num país em que o Estado é quase tudo, o dever do Estado é servir os desejos dos privados. Sem lugar para limites morais...
O Estado hoje não se modernizou, que nesse horizonte havia lugar para tentativas morais (todas falhadas). O Estado hoje “pós-modernizou-se”.

Foi isto que foi a votos hoje.

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quinta-feira, fevereiro 08, 2007

O Mal por Bem














"Quem consente dar a escolher ao povo se o homicídio é ou não um mal em si, vai consentir em tudo o mais. Estando à beira da desintegração da soberania nacional por via duma provável integração no Mercado Comum, nós podemos deduzir que quem discute referendariamente o aborto pode vir a discutir pelo mesmo processo a integridade territorial da Pátria, pode desfazer-nos moral e materialmente, pode destruir-nos à pala do valor absoluto duma liberdade formal que, permitindo a alguns a ascensão ao poder através dos mecanismos pavlovianamente condicionantes de espírito duma Nação que, destruída embora, ainda espera viver a vida saudável que os séculos lhe criaram à sombra da cruz de Cristo. (...)"
***
Manuel Maria Múrias, in "A Rua", n.º 229 (30.10.1980), pág. 24."

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terça-feira, fevereiro 06, 2007

Aqueles Que Ninguém Quis Amar

Sophia de Mello Breyner sobre o Aborto, no Nova Frente

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Punir a Mulher




















Muito se tem falado sobre a punição das mulheres. O problema é o do costume. Deve ou não a Mulher ser penalizada?
O problema, claro está, é a Mulher. A Mulher é mais uma dessas criações fictícias que se têm criado e que é gazua para todas as imoralidades e todos os sentimentalismos por parte dos recém-convertidos à retórica da moralidade, que sempre rejeitaram.

Com o simples acrescentar de uma maiúscula as mulheres deixam de ter todas as virtudes e vícios que as caracterizam enquanto indivíduos dotados de uma história e de uma narrativa própria, dotados de um passado e das condicionalidades do seu tempo.
Tudo isso é abandonado, porque a Mulher é vítima. É vítima de uma sociedade machista, é vítima das lavagens ao cérebro da religião, é vítima de discriminação no trabalho. É vítima de tudo o que se poderá inventar...
A Mulher é sofredora pela sua própria condição.
Varridas para debaixo do tapete da História são todas as outras histórias. De mulheres felizes, de mulheres que têm sucesso, de mulheres que usaram o seu poder para fazer o Mal e o Bem, de santas e pecadoras, não reza a História da Mulher.

Ouço que dizer que todos concordam que a Mulher não deve ser punida!
Infelizmente nunca encontro a Mulher. Tenho dificuldade em falar com estereótipos... E deles nunca obtive resposta!
Falo com mulheres. Umas sofrem, outras não. Umas são vítimas das agruras do mundo, outras são suas beneficiárias.

Punir ou não a Mulher é um acto de injustiça grave, porque coloca como elemento para a definição de uma acção uma condição fictícia. A Mulher não é criminosa, nem benemérita, nem abortista, nem mãe devota... As mulheres é que podem ter qualquer uma dessas qualidades, ou nenhuma. São o que são. Caso a caso.

Não sou defensor de códigos taliónicos.
Como já disse acredito no perdão, mas no perdão de Cristo... “Vai e não tornes a pecar”.
É verdade que todos temos culpa. Não porque tenhamos obrigação política de dotar as mulheres de condições materiais para a maternidade (esse Paraíso não existe neste mundo), mas porque não lhes mostramos os valores do Bem. Porque a comunidade política há muito se demitiu da fundamental obrigação de demonstrar que há viver bem e viver mal, entre fazer florescer uma boa e uma má vida em comum.
Temos culpa porque vivemos na apatia da neutralidade e vivemos bem com isso.
Criamos selvajaria, que disfarçamos de apatia...

Há mulheres e mulheres. A punição vem no sentido de defender a comunidade e não de estabelecer qualquer punição cósmica (a distinção entre crime e pecado, no domínio político é uma marca original da filosofia ocidental).
Da mesma forma que não considero que punir um selvagem por abortar seja solução, também me apiedo dos selvagens que criamos e que vivem entre nós, na sociedade de Marx e Nietzsche.
Para punir alguém há que compreender a gravidade do vício e do mal. O que mata por descuido, ou por não saber que ali está uma vida, não merce a mesma censura que um sujeito que resolveu destruir outro homem para que o mundo fique mais de acordo aos seus desejos.

Punir uma mulher por abortar numa situação de desespero não é o mesmo que punir uma mulher por abortar por despeito do marido, por vingança, por não querer ter responsabilidades...
Destruir esta linha para servir um estereótipo é caminhar para fim da sociedade e da necessidade que todos temos de Justiça.

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segunda-feira, fevereiro 05, 2007

A Moralidade da Lata





















Impressionante a forma como o SIM tem atacado nos últimos dias. O disfarce é perfeito. A direita é moralona e a esquerda é livre...
Louçã diz que o NÃO não tem vergonha ao condenar as mulheres. Eu digo que não tem sido sem-vergonha o suficiente na defesa dos direitos das crianças que não nasceram.
Há “nãos” que são inválidos, porque são o SIM encapotado. Porque não há dinheiro no SNS, porque a pergunta é mal feita, porque faz mal à saúde... Tudo SIM, mas ainda NÃO.

Não estou a dizer que a campanha do NÃO tem sido mal feita. Tem sido muito bem feita, com calma e ponderação, como mandam os dias em que vivemos. O que não existe é, como base de sustentação, uma forte posição que mostre a verdade. Mas até nisso a campanha tem sido bem conduzida, que estas semanas não são a altura para os milhares de indecisos começarem a cursar bioética ou aceitarem as verdades do Cristinanismo que toda a vida desprezaram ou dobraram às suas vontades.

Francisco Louçã acha que o NÃO é imoral. Ele que não acredita na moral. Ele que sempre disse que rejeitava juízos de valor. Francisco Louçã fala de vergonha, mas de tanta retórica nunca ouvi falar sobre a sua proposta moral de definição da Vida Humana. Esta, infelizmente, não existe, porque se encontra apenas na cabeça de cada um.
Moral de homens de coração de lata.

(não publicado no Pela Vida por incompatibilidade de versões do Blogger)

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domingo, fevereiro 04, 2007

No Salon Beige

Os ecos da Caminhada pela Vida e o problema dos números.

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terça-feira, janeiro 30, 2007

Um Mundo Melhor




















Soube através do Engenheiro que o Bispo de Beja, D. Vitalino Dantas, afirmou no Público de 20 de Janeiro que só quem tem consciência dos seus actos pode ser considerado Pessoa Humana. Penso que aqui se encontrou a chave para os problemas económicos do país...
Porque não se poderão comercializar então pessoas deficientes mentais, trissómicos, pessoas de baixa capacidade intelectiva que não compreendam as implicações morais do Ser Humano?
Hordas de trabalhadores serão comerciados como animais de carga... como coisas e não gente!
É o Humanitarismo, Estúpido!

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sexta-feira, janeiro 26, 2007

Pulhices e Escapadelas

Num país em que a canalhice é uma virtude o povo não pode senão merecer as suas elites. Poderia dizer que as pessoas que nos têm tentado fazer passar por "nazis" ou "odiadores de que quer que seja" nunca leram uma página deste blogue. Não sei... O que sei é que os seus propósitos são evidentes!
Quem tiver a paciência (e me fizer o favor) de percorrer os arquivos deste blogue poderá observar que ele se apresenta com o propósito fundamental de denunciar todas as posições políticas da modernidade (fascismo, socialismo, liberalismo), como incapazes de compreender o Bem com único guia para a política. Todos os leitores deste blogue sabem do que falo. Os textos que apresento partem da rejeição liminar do nazismo (uma forma peculiar de socialismo), como todo o seu apelo racial e materialista que tantas vezes aqui refutámos (lembrando até o património da I República nesse domínio e do materialismo-positivista na disseminação desse ideário). Tudo tem sido feito para demonstrar como ambos os desvios espirituais são manifestações de uma mesma doença.
É por isso que não posso deixar de me insurgir contra este insulto. Insulto que compreendo como parte de uma estratégia mais abrangente. Repare-se que o Interregno (um dos melhores e mais serenos blogues cristãos que conheço) está também debaixo de fogo! Colocar cristãos e nazis de um mesmo lado parece ser uma reductio ad hitlerum perfeita para os nossos dias...
Por isso me junto ao Rodrigo Moita de Deus no apelo à Joana Amaral Dias e ao Prof. Medeiros Ferreira no sentido de saber porque razão terá o Bichos Carpinteiros um link para um blogue tão nocivo quanto o meu... Será o "Bicho" uma fachada para perigosas actividades nazis? Das duas uma! Ou não sabem o que se escreve neste blogue e ilibam, portanto, os blogues do Não que linkam o Pela Vida, ou acham que esta casa não é um perigoso blogue de apoio ao Hitlerismo, ao racialismo ou ao PNR e acham que esta casa está a ser vítima de um "character assassination" por parte de seus correligionários.Imagino que o silêncio que se seguirá... Silêncio semelhante ao do senhor que nos "indexou"!
Desculpem o desabafo, que não devemos responder a argumentos deste calibre. Discutir fascismos e invocar demónios do passado é levar a coisa para o terreno destes Torquemadas de trazer por casa...

E leiam o MCB a este respeito!

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quarta-feira, janeiro 24, 2007

O Ódio ao Homem e à sua Limitação Natural




















Lebensunwertes Leben, pelo MCB.
Mais uma exposição da "causa humanitária" do SIM.

(matéria para o Miguel Madeira pensar um bocadinho nas falácias que anda a utilizar)

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