segunda-feira, junho 05, 2006

Hard Core

Ao atingirmos o cerne da questão é preciso lembrar que existe um conjunto de propostas que tentam resolver o problema.
Primeiro existe a ideia de que o Estado pode estar subjugado a uma moralidade Democrática, entendendo-se a mesma como a mera vontade dos cidadãos, que permite a transmutação do sistema político nas pretensões dos seus membros. Este é o caminho que o Nélson já afirmou não trilhar... e muito bem! Esta é a sociedade democrática totalitária! Se se permite a reinvenção total da sociedade, sem limites de propriedade ou de moralidade, estaremos a caminho da sociedade revolucionária e legitimadora do homicídio. Como já aqui vimos essa é a sociedade em que as maiorias oprimem os restantes...

Tocqueville percebeu que existe a necessidade de uma limitação a este tipo de sociedade. Não é preciso vasculhar muito o pensamento político anterior à modernidade para observar as advertências ao que este tipo de sociedade da Vontade Maioritária conduz.
Por isso a descrição tocquevilliana faz a apologia daquilo a que já aqui aludimos. Que é necessário um elemento inegociável na sociedade, um elemento não-moderno (não sujeito à vontade), para que as sociedades modernas tenham possibilidade de existir e não se diluam. A isto se chamará, consoante a vontade do freguês, "republicanismo", "conservadorismo" ou "constitucionalismo".
São todas ideias que formalizam essas ideias de uma reserva à vontade colectiva, de que o elemento estruturante não pode estar sujeito às pressões dos muitos ou dos poucos.

Poderá, porém, a ideia republicana-tocquevilliana estruturar uma sociedade real?

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