quinta-feira, junho 29, 2006

A Necessidade de Teoria na Política









Vejo aumentar o número de blogues e revistas que se reclamam de um património político simultaneamente Conservador e Liberal. O apelo não é novo... Tem pelo menos 300 anos, mas ainda parece ser novidade aqui na "piolheira"!

Devo dizer que pertenço a uma tradição de pensamento conservadora. Isto não é dizer nada, porém! Significa apenas que acredito que as instituições dos homens, e uma reflexão sobre as mesmas, são o caminho para uma boa ordenação da sociedade. Esta concepção, um tipo peculiar de comunitarismo, é oposta a teorias voluntaristas da sociedade e às concepções materialistas do socialismo.

Isto não significa rejeição de uma sociedade de responsabilidade individual e propriedade.
A habitual aliança entre liberais e conservadores baseava-se na premissa de que as liberdades económicas se encontravam fundadas em concepções que provinham de valores mais elevados de vida em comum. Quando os liberais se autonomizaram em defesa da liberdade como superior à justa ordenação social, perderam a capacidade de, sequer, dialogar com os conservadores! Esta semelhança (que qualquer um poderia prever num horizonte mais ou menos longínquo) com os "liberals" (socialistas) em prol da sociedade vazia e descaracterizada, converte-se numa impossibilidade real de aproximação entre a vertente conservadora e liberal.

Por isso, a menos que nas ideias políticas o atraso se mantenha de 30 anos, é difícil alguém continuar a dizer, com alguma coerência, que é conservador-liberal.
Pode-se ser "conservador" ou "conservador do liberalismo", como são os discípulos de Trilling que enfileiraram as hordas de neoconservadores nos "campuses" norte-ameriacanos e suas sucursais por todo o mundo. Ser-se ambos é que se mostra mais difícil, dado as propostas de sociedade de ambos se terem tornado radicalmente incompatíveis...

É nestes vazios que os partidos políticos jogam e perdem o sentido!

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