quinta-feira, novembro 18, 2004

Com a Bandeira nas Mãos!!!

Ao ler o excelente texto de Rafael Castela Santos e ao observar a terminologia nela empregue é fundamental destrinçar conceitos, observá-los à Luz do que aqui temos pensado. De modo a que não sobrem dúvidas sobre o que aqui falamos e sobre a proximidade siamesa do que discutimos aqui e em A Casa de Sarto, vamos tentar clarificar a terminologia empregue aqui no Pasquim.

Quando aqui falamos de Nação separamo-la de Pátria. Uma Nação é uma comunidade político-moral, com uma Identidade. Esta identidade comporta os traços genéticos (origem), evolução individual (posicionamentos), e essência (substância que se mantém durante o processo evolutivo). Rafael Castela Santos chama a isto uma “Pátria com tradição”. Eu chamo-lhe Nação…

Chamo-lhe Nação porque sei que a obediência, mesmo a familiar, não vem do sangue, vem das criações do espírito! O filho não obedece ao pai pelo sangue… O filho obedece porque sabe que os laços que tem com ele (seja filho biológico ou adoptivo) impedem que este queira o seu Mal. A obediência do filho ao pai não é por isso cega… Porque se o Pai pedir ao filho que mate alguém, logo se impõe a esfera “política” como superveniente, determinando a Justiça ou Injustiça de tal medida.
A “ditadura do sangue”, da hierarquia filial cega, que não consagra o Bem, mas apenas uma “cadeia de comando”, é uma ideia antifilosófica.

Foi por isso que Aristóteles consagrou a sua obra política ao estabelecimento de diferenciações de Poder. É por isso que temos de compreender a relação do “político” com o “infrapolítico”.
Se na Família e na Aldeia aristotélica existe algum tipo de concepção de “sangue”, nas nossas sociedades pelos laços do Romano-Cristãos, que o Rafael Castela Santos bem observou, elas são absolutamente irrelevantes no que respeita ao domínio político. O domínio político não é uma mera extensão da paternidade. É um Poder na vantagem de todos…
Por isso de distingue das “nações” de que Lamas falava, das variadas instituições de que o Homem faz parte, mas que não comportam a existência de um Bem Comum que gera não só o Bem do grupo, mas uma participação na Ordem superior das coisas, o que conduz a uma maior felicidade do Homem.
A única semelhança que conduz a “lealdade política” é a partilha espiritual comum.

Releva daí a importante diferença do Nacionalismo Português e do nacionalismo “vimaranense”. Poder-se-á pensar que o nacionalismo racialista (não confundir com étnico, que para haver uma etnia não é preciso que haja sequer ideia de raça, mas uma ideia de partilha!) pretende um regresso a 1143! O problema reside em que Afonso Henriques não era líder de uma raça (era filho de um Homem de outras paragens). Lusitano não seria certamente. Nem ele nem o seu povo se viam como Raça! Viam-se como cidades, vilas, campos, unidos numa Fé e num Bem Comum.
Há então um raciocínio marxista que resulta sempre! Eles eram racialistas, só que não sabiam (o pós moderno equivalente ao materialismo histórico)!
Esse povo é uma qualquer raça original… Mas não é Portugal!
(Ainda nenhum dos Vimaranenses disse como vai votar no Referendo!)

Toma-se a sociedade e suas tradições com uma visão monolítica. Não olhando para a dimensão dinâmica da Nação Portuguesa, pode perder-se uma grande parte da cultura portuguesa!
O Cozido à Portuguesa tem batata! E a batata, como se sabe, não é um tubérculo nativo… Como se sabe é um alimento do Novo Mundo! Para que o “Cozido” seja mesmo português é preciso que seja feito com castanhas (esses sim, alimentos portugueses). Para não falar da Alheira, esse "enchido" sionista...
Este pensamento não faz sentido… Português é tudo o que entrou nesse diálogo histórico-narrativo e se sedimentou, porque obedecia à essência, servindo-a e a seus fins.
O mesmo acontece com as gentes, que se colocaram sob a nossa bandeira, que aceitaram pertencer e honrar a Nação… Estando por isso gratos a Afonso Henriques, ao Infante, a Salazar (todos esses que as mentes mais poluídas consideram traidores, que não são dignos da sua memória ou sequer de proferir os seus nomes!).
Todos eles, quando adquiriram a nossa bandeira, quando demonstraram lealdade à Ordem e Instituições Portuguesas, se tornaram parte desse "ser", original e colectivo, que é Portugal!

Portugal extrapolou a sua identidade europeia…
É muito mais que isso!

Sempre pela Identidade! Pela Identidade Portuguesa!

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